terça-feira, 6 de outubro de 2009

Carona sem Carro

Era sempre a mesma rotina, o sr. Jumar acordava, ia ao banheiro, tomava um banho, vestia seu terno preto estilo riscas de giz, tomava um breve gole de café, passava a manteiga num pão francês amanhecido e, quando terminava a refeição matinal, ia direto ao seu carro, seu transporte até o trabalho.

Ali ele simplesmente esquecia tudo que o importunava e dava ao trabalho de guiar tal meio de locomoção da melhor forma possível. O caminho inteiro era banhado por notícias fresquinhas do jornal da rádio de notícias, uma lhe chamou a atenção e, num segundo de distração para aumentar o volume, veio o "clash". Bateu num ônibus. O que restou foi levantar o polegar e esperar uma alma caridosa.
O carro encostou, perguntou pra onde ia, era razoavelmente perto do seu emprego, agradeceu e bateu a porta. Logo ao entrar, sentiu um arrepio, como se algo ali estivesse errado. O motorista simplesmente sumiu, evaporou. Sua primeira reação fora tentar sair de lá a qualquer custo, mas o esforço foi em vão, parecia como murrar uma parede de tijolos.

O desespero era tanto que sua garganta estava seca, parecia não emitir som algum. Olhares curiosos do lado de fora invadiam o carro com um ar de pena, de dó. Isto só dera mais motivação para sair de lá, notou, então, o carro desaparecendo, sumindo. A esta altura não fazia mais esforço algum, estava totamente entregue à própria sorte. O carro sumiu.
O tombo foi feio, seu corpo estava todo machucado. Não conseguia andar, por isso deu um grito mais alto que pode, em seguida chega uma senhora:
- O que aconteceu, meu rapaz?
-Bati o carro.
-Não se preocupe, vou te evar ao médico.
A partir daquele dia, ele nunca mais entrou num carro. Prefere ouvir seu jornal no fone de ouvido.

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